SOB A MAIS LIVRE DAS CONSTITUIÇÕES UM POVO IGNORANTE É SEMPRE ESCRAVO Condorcet (1743/1794)
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sexta-feira, 31 de março de 2023
Movimento da Escola Moderna
terça-feira, 28 de março de 2023
Ontem, os professores, hoje, os alunos!
Detesto ditadores e "ditadorzecos". Presumo que lá no fundo sejam pessoas infelizes, porque, no meio da sua voraz atitude diária de a todos controlar ou, então, de sentirem um imaginário poder sobre os outros, julgo que são capazes de terem alguns momentos de lucidez, sobretudo quando são confrontados olhos nos olhos. Como nada percebo, no plano científico, sobre os comportamentos, tudo resumo a uma endémica infelicidade. São assim!
Visitei escolas democráticas onde até o regulamento da escola é definido pelos alunos. Onde, num determinado dia da semana fazem uma assembleia geral de escola, onde as regras nascidas de baixo, são debatidas e alteradas. Onde há audição dos problemas da comunidade escolar. E ali não deixa de existir disciplina, rigor e muita aprendizagem. Tornam-se adultos responsáveis.
Mas esta história tem antecedentes. Em 2019 o mal-estar na Escola de Hotelaria conduziu a um grave sobressalto entre os professores. Conduzi uma Assembleia Geral de Professores, no Sindicato de Professores da Madeira, e tenho bem presente o que escutei, no meio de um indisfarçável medo. Ouvi desabafos de gente com as lágrimas nos olhos, passei o meu olhar pela assembleia e vi-os apavorados com o dia de amanhã. A minha missão foi a de acalmá-los, compreendendo-os mas também incentivando-os no pressuposto que "só perde quem deixa de lutar".
Passados três anos, não são os professores, mas os alunos que se levantam contra alegadas prepotências. Não faço juízos de valor até porque não conheço o processo, mas insurjo-me contra declarações infelizes. O "lugar dos alunos é na escola", mas essa escola só existe porque há alunos. Certo? Então, pode deduzir-se que uns ali estão para uma aprendizagem que se deseja de qualidade, e outros, os que a dirigem, ali estão para garantir as condições básicas do seu funcionamento. No meio disto deve prevalecer o respeito bilateral. Está pois enganado quem pensa que qualquer queixa "não é argumento para validar aquilo que reivindicam". Até na Guiné, no mato, em tempo de guerra colonial, quando o "Homem-Grande" reunia os principais da aldeia, tinha o cuidado de os escutar, corrigir e propor soluções.
domingo, 26 de março de 2023
"Um povo consciente é o maior medo de um governo mal intencionado"
Não tenho formação científica para tal caracterização: se se trata de um devaneio fantasioso, de um sonho paredes meias com um pesadelo, de uma tentativa de enganar incautos, sinceramente, não sei. Guio-me por factos e por aquilo que tem sido a minha vivência profissional e sobretudo pelo que leio e vou tentando estudar e compreender o que investigadores e autores vão escrevendo. E são tantos que não os consigo acompanhar. Mas as sínteses trago-as bem presentes.
Entretanto, a manchete da edição do Dnotícias de ontem dita que na Madeira: "2 em 3 alunos dependem da Acção Social Educativa". Para o poder político regional esta situação assume o significado de uma protecção exemplar no que concerne ao direito constitucional à Educação e, por via disso, à excelência de que falava o presidente do governo. Ora, não são necessários muitos estudos, basta ser clarividente e dispor de algum bom-senso, para perceber que há uma relação directa entre pobreza, capacidade de aprendizagem e construção do futuro, embora alguns estereótipos devam ser quebrados face aos aspectos multifactoriais que esta relação envolve (pobreza-aprendizagem). O que me parece fulcral é a necessidade de uma análise globalmente integrada de tal forma que o desejo de estar na "linha da frente", de ter os "melhores alunos do País" e a Madeira estar na vanguarda da Europa, não soe a paleio insustentável e até matéria de algum gozo.
A Região tem 32,9% de pobres ou em risco de pobreza, não esqueçamos! Na Escola, entre 41 500 alunos, 27 394 são apoiados, o que se resume a uma palavra: carências. Nos últimos anos, com esta política educativa do tipo "duracel", centralista, organizacionalmente sem qualquer assomo de inovação, não foi possível suster a emigração de 13 000 jovens, tampouco ser capaz de mobilizar cerca de 8 000 jovens que não estudam nem trabalham. Há, portanto, por um lado, razões a montante, onde sobressaem as políticas de família, as económicas e financeiras (fraca qualificação profissional e rendimentos baixos), por outro, a jusante, onde se enquadram a desadequada organização de uma escola para os tempos que os jovens estão a viver, os currículos, os programas e as gravíssimas questões de natureza pedagógica que tornam a escola desinteressante e conduzem a uma sucessiva perda de talentos e sonhos. A pouca nata que surge acaba por projectar a sua vida para além da Ponta de S. Lourenço. Porque há mais mundo! São tantos os exemplos em todos os sectores e áreas. Vão embora ou por lá ficam!
Os governantes deviam ter presente que a pobreza (entre outros factores) afecta o cérebro, e ao contrário do que foi dito, aquela iniciativa isolada não me parece ser o caminho de uma economia consistente e portadora de futuro. A construção do futuro não é possível, com uma escola alimentada pelas traves-mestras da I Revolução Industrial, pintada de fresco com "manuais digitais" (nos Estados Unidos esta política está a ser abandonada, porque revela falta de inteligência, grosso modo, para além de outros problemas, meter os manuais em papel no formato digital), não é possível com meia-dúzia de designadas "salas do futuro" (!) com os naturais enfeites políticos de circunstância, consegue-se, sim, analisando profundamente os sistemas e planeando o desenvolvimento de todos os sectores da sociedade, de forma integrada, definindo as prioridades estruturais, garantindo a transformação graduada, a interacção, a integração, a optimização dos meios, auto-sustentação e a participação das pessoas. Consegue-se quebrando o ciclo da pobreza e das desigualdades, lutando, em sede de uma revisão constitucional, por um país com três sistemas educativos distintos, dizendo não ao permanente desejo de tudo controlar, portanto, apontando para uma escola geradora de cidadãos livres, responsáveis, cultos, autónomos, solidários e que valorize a dimensão humana do trabalho.
Li algures, creio que uma frase atribuída a Ivan Santana, cito de cor, que "um povo consciente é o maior medo de um governo mal intencionado". Porque a ignorância torna os seres dóceis! Há ali naqueles excertos do presidente do governo, que apadrinha estas políticas, uma grande dose de uma intenção que não é verdadeira. Como pode ele desejar "dotar os alunos do melhor ensino, o mais actual e de vanguarda para estarmos na linha da frente... no melhor do país e da Europa" (...) "para garantir às novas gerações uma vantagem competitiva", quando ele, enquanto líder deste sistema regional, permite que desde as primeiras idades matem os sonhos e os talentos de tantos jovens?
Esta matéria dava para escrever um livro. Mas já existem tantos e tantos estudos. Bastará lê-los. Viagem, por favor, vão ver o que se faz de bom lá fora, tentem, sem imitações tolas, apenas por aproximação, uma espécie de "benchmarking" dos desempenhos de sucesso. Pesquisem. Tratem de saber as razões que levam a Finlândia a ser o país mais feliz do mundo (Portugal é o 56º). Invistam junto dos professores na qualidade e mudança de paradigma. Permitam que eles mudem a escola, que mudem o "chip" e sejam autores do sucesso na aprendizagem. Invistam na cultura, no desporto, na música, nas artes em geral e valorizem o pensamento independente, os valores e o trabalho em equipa. Tornem os jovens cidadãos do mundo, que dominem línguas, culturas e religiões. Tenham a coragem de fazer de todos bons falantes da língua portuguesa. Esqueçam essa treta de andar a decorar para esquecer após um teste. Mandem borda fora a aprendizagem segmentada (por disciplinas) quando a vida não são partes sem qualquer influência recíproca. Acabem com essa obsessão pela avaliação e com uma burocracia infernizadora sem qualquer sentido. Ponham um ponto final nas leituras obrigatórias, quando o que interessa é ler, ler, ler muito. Há milhares de títulos nas livrarias à espera de serem "devorados". Tenham presente Bhagavad-Gita ("Sublime Canção"), Século V aC: "Feliz o aluno a quem o Mestre agradece" e, já agora, que a "Educação não é uma corrida" como enalteceu a investigadora Deborah Stipek.
Tudo isto dá muito trabalho e leva alguns anos, pelo que a preparação para enfrentar a IV Revolução Industrial e as seguintes, terá de colocar hoje tudo em causa. A mentirinha pode dar jeito a um qualquer político num determinado momento, mas é paga a prazo e com juros! O desenvolvimento nunca será atingido através de um paleio mofento. Alvin Tofller, em 1984, há 40 anos, avisou que era pouco inteligente meter o futuro nos cubículos convencionais de ontem. Parece que alguns ainda não entenderam e daí uma propaganda balofa que nada tem a ver com o presente e com o futuro! Tem a ver com o exercício da política num determinado momento. E ser estadista é muito diferente de ser político.
Ilustração: Google Imagens.
sexta-feira, 24 de março de 2023
Proximidades... a quanto obrigas!
Não aprecio a promiscuidade entre instituições. Uma coisa é a instituição PSD tomar a iniciativa legítima de escutar, estudar e ter opinião sobre o ensino superior na Região; outra, muito diferente, é a Universidade da Madeira permitir, de braço dado com o PSD e o seu grupo parlamentar (ou de uma outra qualquer força política) a promoção de uma conferência, onde se pretenda "olhar para o passado para construir o futuro", naturalmente o da Universidade da Madeira no quadro do ensino superior. São aspectos diferentes e com leituras políticas distintas.
Aliás, poderei, eventualmente, perguntar se para a Universidade, outras forças políticas ou de ensino superior nada terão a dizer sobre o futuro!? E, neste caso, se a Universidade da Madeira abrirá as suas portas com idêntico objectivo, solicitando aos seus respeitáveis docentes uma dada participação.
sexta-feira, 17 de março de 2023
Lamento a onda de ausência de respeito e cortesia
Embora seja de uma outra época, o ser educado e cortês, continuo a defender que não tem época. Não deveria ter. Há princípios e valores que, pessoalmente, não abdico. Enquadro-me na nossa cultura e dispenso as atitudes que algumas modernices estão a alastrar como cogumelos. Ainda anteontem, segui uns breves comentários sobre a guerra. Convidados da Senhora jornalista Ana Sofia, de 38 anos (CNN), estavam o Senhor Major-General na reserva Carlos Branco e o Senhor Embaixador Jubilado Dr. Seixas da Costa. E a conversa desenrolou-se ao jeito de Carlos Branco (64 anos) o que pensa disto e qual é a sua opinião Seixas da Costa (75 anos).
A jovem jornalista, aliás tornou-se comum este tipo de tratamento perante os convidados, pareceu-me que teria andado na escola com aquelas duas figuras com um curriculum invejável. Figuras que têm quase o dobro da idade da jornalista. Logo a seguir dialogou com o Dr. Rogério Alves que, na qualidade de jurista, abordou um outro qualquer tema. Era Rogério para cá, Rogério para lá. Ora, mesmo que estes comentadores ali estejam na condição de "residentes", não perdem ou não deviam perder aquilo que são ou foram nas suas vidas.
terça-feira, 14 de março de 2023
Mais de metade da população sem o Ensino Secundário
O secretário da Educação da Madeira fala de uma "evolução extraordinária" e que se encontra "extremamente agrado". Já não fico perplexo nem para rir me dá com algumas declarações políticas, porque a situação é delicada e muito grave. Há como tentar "tapar o Sol com a peneira", quando os dados do Instituto Nacional de Estatística apontam para a segunda região do país com maior percentagem de população residente sem o ensino secundário, o que significa que numa população de 253 000 pessoas, aproximadamente, 143 000 não o concluíram.
Não é estranho, por isso, que cerca de 13 000 jovens tenham saído da Região nos últimos anos, a mão-de-obra seja escassa e o futuro apresente cores tendencialmente cinzentas. Só o político de plantão, certamente comparando com o tempo do fundador da nacionalidade, fale de uma "evolução extraordinária" e que todos nós devamos estar "extremamente agrados". Isto para não falar de 8 000 jovens que não estudam nem trabalham!
terça-feira, 7 de março de 2023
TEORIAS CRÍTICAS E PÓS-CRITICAS DO CURRÍCULO
Alguns autores, desta fase, acusaram mesmo a Escola de estar ao serviço da diferenciação das classes sociais, desenvolvendo atitudes de submissão, no caso dos filhos das classes trabalhadoras, e de atitudes de liderança, nos filhos das classes privilegiadas.
Comecemos, então, pelo princípio: o que é o Currículo? Será um dado adquirido, com existência própria, à espera de ser descoberto? Ou é uma construção pessoal? Como em tudo nas ciências sociais e humanas, não há definições únicas da realidade, pois a realidade não existe, no seu estado puro. A apreensão da realidade é sempre subjetiva. Existe sempre alguém, um sujeito (subjetivo) que lê a realidade, modelada pelas suas perceções, conceções, representações e sua história de vida. In extremis,
E todo este mundo tem de ser desvelado. Exposto. Pensado. É aqui que este livro pode ser, também, útil: ele ajuda a compreender a direção que o mundo segue e o papel que o currículo poderá ter na construção de uma sociedade mais digna, livre e responsável.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023
Esta Escola está esgotada
Qualquer cidadão, escolarizado e com pensamento estruturado, a quem se pergunte quais as maiores preocupações entre os vários sectores do desenvolvimento social dirá, presumo, que a Saúde, a Educação e a Segurança Social constituem os pilares essenciais na construção da sociedade. Não entendo, por isso, que sejam exactamente os sectores que apresentam lacunas preocupantes. Deixo a Saúde e a Segurança Social para os mais abalizados, os que estudaram e que manifestam aprofundado conhecimento. Por isso, não me atrevo a comentá-los até porque nunca fiz um esforço mínimo e sério para perceber e compreender todas as suas variáveis.
Posso não ser acompanhado por outros (ainda bem), posso ser, até, considerado leviano em algumas das minhas considerações, mas isso pouco me rala. Não sou nem outros são portadores de uma qualquer verdade, por mais credíveis que sejam as suas fontes, pelo que, o que escrevo e em alguns momentos assumo perante plateias, não é mais do que o meu posicionamento marcado pela exigência de honestidade de pensamento. Aliás, é na compaginação de posições divergentes que podemos encontrar os caminhos mais adequados, nesta encruzilhada onde as lógicas do passado se apresentam dissonantes relativamente ao futuro expectável.
Especifico melhor: entendo que o conceito de aula e de turma há muito que não fazem sentido; da mesma forma a ideia de uma aprendizagem segmentada por disciplinas, quando a vida é um todo; repudio o sistema de avaliação, cada vez mais obsessivo e cego, quando ela deve servir, fundamentalmente, o aluno; não aceito os exames, porque deles não emerge o conhecimento poderoso de que falou Michael Young; nego a organização da própria escola, marcada por decisões centralistas e, abstrusamente, burocráticas, que matam o direito à concretização do sonho e olvidam o talento de cada um; os currículos, superiormente decididos, que não respeitam as desigualdades e se esquecem das especificidades regionais e locais, quando deveriam ser, sensatamente, elaborados ao nível de escola (um dia lá chegaremos); os programas, inexplicavelmente, cada vez mais extensos e complexos desde as primeiras idades, que ajudam a matar a vivência da infância e da juventude, conduzindo, mais tarde, a pessoas magoadas com a vida. É tanto o que me divide neste sistema repetitivo que tem vindo a tornar a escola, não num espaço de prazer pelo conhecimento, mas de obrigação e castigo, onde se "aprende" para logo esquecer, pouco ou nada restando.
A escola e a aprendizagem devem nascer de necessidades sentidas. Como recentemente sublinhou o meu Amigo Professor Catedrático Domingos Fernandes, Presidente do Conselho Nacional da Educação, "É pelo sonho que vamos" - Sebastião da Gama (...) precisamos de escolas com projectos, pois sem eles não é possível melhorar e transformar as realidades" (...) "temos de trabalhar para desenvolver uma cultura de inovação pedagógica, sem a qual corremos o risco de a escola se tornar entediante, de ser uma pasmaceira, quer para professores e educadores, quer para alunos". Mas para que a transformação aconteça, enalteço agora, o sistema não deveria estar invadido por políticos de circunstância, "os que acham que", sem consistência técnica, científica e distantes do que os grandes pensadores, desde académicos a empresários, passando pelas múltiplas experiências práticas, sugerem como necessidade de uma escola aberta ao mundo, universalista, distante de sinais dogmáticos, feliz, de rigor e que rejeite matar talentos.
Ainda há dias, a Psicóloga Drª Manuela Parente, em artigo de opinião no Dnotícias, referiu "(...) que a escola tradicional tem de ser repensada, integrada e adaptada de forma a poder, a médio prazo, colaborar para a felicidade dos seus alunos (...) há uma mudança de paradigma que a escola tradicional ainda está longe de integrar e talvez mesmo de aceitar". E na edição de hoje do mesmo matutino, o ex-governante João Carlos Abreu enalteceu: "(...) os seres humanos não se podem limitar a uma temática. Podemos ser eruditos numa temática, mas termos uma mentalidade universal, uma cultura aberta ao mundo (...) engenharia e medicina podem ter poesia, literatura e música, porque são bases para o desenvolvimento intelectual do ser humano".
Ora, a escola, desde há muito, por efeito de currículos, programas e de uma centralização de processos castradores, nunca foi capaz de, na esteira de Gaston Bachelard, estabelecer um corte epistemológico, antes preferiu manter-se na subjectividade, divorciando-se da cultura, eu diria da Vida, o que a conduziu a respostas erráticas concordantes com a mediocridade política. Fixaram-se nas modas, no mediático e não no estrutural. Ora, político que se fixa no palavreado desengonçado, na verbosidade ardilosa, como esta que li no quadro da importância dos computadores, não é nem nunca será um político visionário: "(...) razão pela qual a escola não pode, naturalmente, alhear-se da sua utilização nas suas salas de aula, aproveitando o seu enorme potencial educativo, seja pela intencionalidade pedagógica na dinâmica da aprendizagem seja de motivação dos alunos e dos professores". Porque o problema não reside aí, mas no pensamento sobre o que se quer fazer com um dos sectores mais importantes da sociedade. Os computadores são apenas a margem (instrumento) de um processo. Por maior que seja o seu número a escola nunca se transformará. Político que só olha para o computador torna-se incapaz de olhar para o Homem em constante reconstrução.
Ilustração: Google Imagens.
sábado, 4 de fevereiro de 2023
Ausência de memória
Quem passou pelo exercício da política, sobretudo por cargos de enorme responsabilidade governativa, deveria ter a memória, sempre fresca, do que fizeram e do que ficou por realizar. A mim, enquanto observador, no sector a que me dediquei, deixa-me um rasto de perplexidades quando assisto ao discurso de ex-ministros a perorarem sobre assuntos face aos quais não tiveram nem engenho nem arte para mudar o curso da História. Lembro-me de todos eles e a poucos, muito poucos, reconheço a tentativa de gerar caminhos dissonantes com a “liturgia” de uma escola marcada pela rotina.
Fazem-me lembrar um meu professor, envolvido até ao pescoço com o Estado Novo, que uns tempos depois de Abril de 1974, em conversa de circunstância, disse-me: “André, sabes que nunca tive nada a ver com aquela gente”. Respondi-lhe: “pois... é verdade”. De que valia dizer-lhe o contrário! Ele ficou feliz e eu não deixei de fazer a leitura histórica. Assim me fazem lembrar esses ex-ministros que surgem a falar de Educação (e não só), sem memória do que foram, do que disseram e do que não produziram.
Estamos a viver um tempo de irracionalidade, atrevo-me a dizer, de mediocridades, de discursos para entreter, de paradoxos entre o que dizem e a prática, de mentira dita com a tez séria, de acentuada partidarite em desfavor do pensamento dos que podem alumiar o caminho, de rotina e mais rotina como se este sector não tivesse de ser reinventado na plenitude desta palavra, de desconfiança e atropelos na dignidade na nobre missão de fazer aprender, de governantes impreparados que trazem apenas em memória a sua experiência alimentada pela frase “no meu tempo é que era bom”. E assim repetem, não acrescentam pensamento.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023
Inconcebível
Não se trata de saudosismo, quanto muito de memória e de oferta educativa. Ali se fizeram campeões nacionais, internacionais e um olímpico. Naquela piscina viveram-se momentos fantásticos quer na competição regional quer nacional. Milhares de crianças aprenderam a nadar oriundas dos infantários do Funchal. E por ali passaram milhares de alunos do estabelecimento de aprendizagem Dr. Ângelo Augusto da Silva.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2023
A luta dos professores. Cuidado com certas decisões, embora justas!
Não vou tecer novas considerações sobre a luta dos professores pela dignificação da carreira docente. Apenas adianto que é legítima, depois de décadas de permanente ostracização. Tal como já aqui assumi, a esta luta falta juntar uma outra sobre a escola que é oferecida aos alunos e a escola que prepare para o século que os jovens estão a viver. Porque não basta, de megafone em punho, falar da defesa da Escola Pública, pois essa é Constitucional e, portanto, direito de todos. É preciso ir mais longe, porque o que está em causa é, também, a sua organização interna e o paradigma curricular, programático e pedagógico.
Mas não é desses aspectos que, hoje, aqui venho para deixar uma preocupação que tem a ver com alguma disparidade, no actual quadro constitucional, entre o que se passa com os professores que trabalham na Região da Madeira (6.000) e os do restante espaço Continental (90.000). Ora bem, é pública a minha posição na defesa de um País com três sistemas educativos (Continental, Madeira e Açores). Aliás, deveria ser aproveitada a próxima Revisão Constitucional para as regiões garantirem esse objectivo, sem que com isso seja colocado em causa o grande desígnio nacional da Educação. Bem pelo contrário.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2023
A escola deixou de ser um lugar feliz: “As salas de professores parecem um velório”
Mara tem 13 anos, um sorriso fácil, irradia boa disposição e apresenta um discurso coerente e escorreito, de quem sabe bem o que quer. Estuda no 7º ano no Agrupamento de Escolas Padre Bartolomeu de Gusmão, em Óbidos, e é atleta de alta competição. Depois de um intenso dia de aulas e do treino de natação, já a noite vai adiantada, Mara arranja tempo para nos falar da escola. Queixa-se do peso dos horários e dos currículos escolares.
Corpo docente envelhecido
Professores “em sofrimento a dar aulas”
terça-feira, 17 de janeiro de 2023
As crianças gostam de aprender, podem é não gostar de TPC às sete da tarde
Professora adjunta e supervisora de estágios profissionais na Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti (ESEPF), no Porto, Gabriela de Pina Trevisan concluiu doutoramento (2014) em Estudos da Criança, especialização Sociologia da Infância, no âmbito da cidadania e participação infantil; anteriormente, tinha obtido licenciatura em Sociologia das Organizações (1998) e mestrado em Sociologia da Infância (2006) – tudo na Universidade do Minho – e trabalhou como animadora sociocultural na Fundação para o Desenvolvimento do Vale de Campanhã, no Porto (1998-2001). Participa em diferentes redes profissionais da área da Sociologia da Infância e é membro do Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC), do Instituto de Educação da Universidade do Minho, e do Centro de Investigação Paula Frassinetti (CIPAF/ESEPF). As suas áreas de investigação incluem a sociologia da infância, os direitos das crianças, a intervenção comunitária e o trabalho socioeducativo com crianças e jovens e famílias.
Para começar, tentar perceber qual o estado da investigação académica na sua área de trabalho. O que é que está a dar na Sociologia da Infância?











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