SOB A MAIS LIVRE DAS CONSTITUIÇÕES UM POVO IGNORANTE É SEMPRE ESCRAVO Condorcet (1743/1794)
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quarta-feira, 21 de setembro de 2022
E por aí, alguém disse que a taxa de participação era de 50%!
sexta-feira, 16 de setembro de 2022
quinta-feira, 15 de setembro de 2022
Entre rotos e esfarrapados...
A propósito da contagem do tempo de serviço congelado aos professores, o Ministro fez umas declarações quanto a mim inócuas e, portanto, sem qualquer relevância política. Considero que não merecia contraponto. É daquelas situações que o Ministro deveria estar calado e o governante regional mudo. Mas não, o secretário resolveu ripostar: "(...) Nós entendemos que estas declarações, sendo completamente despropositadas, não deixam de ter também uma outra intenção que é a de encobrir aquilo que são as incompetências do Partido Socialista para governar a educação em Portugal", disse Jorge Carvalho, secretário da Educação, Ciência e Tecnologia da Madeira - Dnotícias, 14.09.2022.
A parte interessante, aqui sim, de natureza política está na passagem "(...) encobrir aquilo que são as incompetências do Partido Socialista para governar a educação em Portugal". Admitamos que sim. A questão é perceber as incompetências do Partido Social Democrata para governar a educação na Madeira. A questão reside aqui. No quadro da Autonomia Político-Administrativa, pergunta-se, então, que avanços foram proporcionados?
O debate deveria centrar-se em matérias muito mais profundas. As de natureza estrutural, de pensamento, de aferição do que dizem e escrevem os grandes pedagogos e cientistas da actualidade (e não só) face ao mundo que está na frente dos nossos olhos. Constata-se a existência de um claro desfasamento, quase total e muito perigoso, entre a rotina do sistema que é proporcionada e a estabilidade e êxito da população em todos os sectores e áreas do desenvolvimento. Enquanto uns buscam a antecipação do futuro, outros amam o passado, idolatrando figuras e conceitos absolutamente desadequados. A universidade nada lhes deu. É caso para perguntar a quem interessa uma população distante, alienada, ignorante, pobre e dependente?
quinta-feira, 8 de setembro de 2022
O folclore - "Repisa rapaz, repisa e torna a repisar..."
"Folclore" foi como o secretário da Educação do governo da Madeira caracterizou uma manifestação, no essencial, de chamada de atenção para os problemas, alguns muito graves, apontados pelo Sindicato de Professores da Madeira. Eu que liderei, durante dois mandatos, a mesa da assembleia geral de professores do SPM, fiquei estupefacto com aquela forma de caracterizar o importante trabalho de alerta e tentativa de correcção dos processos que aos professores dizem respeito. Participei em inúmeras reuniões de professores e nunca me apercebi de qualquer ausência de bom senso na análise dos temas em debate. Os professores sempre partiram do pressuposto que numa negociação todos perdem. Perde-se para que todos possam ganhar alguma coisa.
terça-feira, 6 de setembro de 2022
Regresso às aulas ou o regresso à rotina?
A pergunta tem a sua razão de ser. Não tolero a expressão "regresso às aulas", porque a aprendizagem é permanente, mesmo em tempo de pausa, mas sobretudo pela carga que ela transporta no quadro do sistema educativo; muito menos me conformo com a "rotina". Ambas, por múltiplas razões tantas vezes aqui equacionadas, constituem a antítese da escola que aos jovens deveria ser proporcionada, enquanto espaço de conhecimento significativo, como, por outro lado, traduz o oposto relativamente a um mundo que não se compraz com repetitivas atitudes tradicionais. De forma absurda e ininteligível, os políticos são capazes de olhar e até compreender a velocidade com que a ciência acontece, mas continuam a preferir encostar os olhos e o nariz numa parede. Ainda ontem, em contraponto, o Papa Francisco, numa entrevista na TVI, embora num outro contexto, alertava para a necessidade de "abrir a janela" para ver o mundo, digo eu, de oportunidades que os novos caminhos sugerem. Abram a janela, disse! Escancarem a janela.
Aos que seguem a leitura deste texto, obviamente que é legítima uma pergunta: então, existirá outro formato de escola? Respondo: existem muitos, mesmo em Portugal, basta que os estudemos. O que tenho por adquirido é que o "modelo português" (trata-se, de facto, de um modelo (estático) e não de um paradigma), ano após ano, afugenta da escola os alunos e os professores. Os primeiros assumem que é "uma seca", vendo nela mais obrigação do que utilidade, e os segundos, na generalidade, não encontram o momento de fazer um corte com a profissão que abraçaram e muitos amaram. Mais grave é que são poucos os jovens candidatos ao exercício da docência. Mesmo no actual sistema, a renovação dos quadros já é deficitária. O retrato da situação é público e notório.
E não é preciso ir lá fora copiar um qualquer paradigma de escola, porque a solução está cá dentro. Há que olhar, obviamente que sim, para aquilo que outros fazem e de forma consequente, há que reflectir e produzir pensamento a partir de experiências vividas, mas sempre com a preocupação de fugir à tentação de criar um "modelo nacional" desadequado das inúmeras circunstâncias caracterizadoras do povo português.
Ademais, os estabelecimentos de aprendizagem precisam de uma completa autonomia, de gerar a diferenciação entre eles e de deixarem de vez a trela política centralizadora.
Hoje, estamos perante um "cocktail" explosivo de graves consequências para o futuro colectivo. Os penosos resultados desta cega política estão a caminho. Aliás, já são sensíveis e devastadores os sinais em todos os sectores e áreas da sociedade. Cinquenta anos depois de Abril tudo continua estruturalmente igual, apenas com alguns enfeites e muita propaganda balofa. Para quem decide, face às configurações da IV Revolução Industrial, basta responder com os enquadramentos que provêm da I Revolução Industrial. Pergunto, será que ninguém dá conta que estamos a preparar para empregos que não vão existir e, pior ainda, estamos a gerar uma grave carência de especialistas em variadíssimos espaços profissionais? Ainda ontem, cruzei-me com um empresário que foi claro: "preciso de colaboradores que saibam do ramo a que me dedico. Não encontro". Ele não me falou de habilitações académicas, falou-me de pessoas com talento e capacidade profissional. Ora, concluo, há um evidente divórcio entre as duas faces do problema.
Depois, com uma gritante facilidade, oiço por aí frases do tipo: geração de malandros, não querem trabalhar, vivem dos subsídios, eu sei lá o que tenho escutado. Desabafos que caracterizam a situação actual, mas que ficam pela superficialidade, distante da causa dos problemas. E na causa está a estrutura da sociedade em todos os aspectos, a mentalidade enraizada por anos a fio de encolher de ombros, a ausência de rigor e de uma escola desadequada da realidade. Ninguém se questiona para onde vai, ninguém apresenta uma preocupação de sentido prospectivo, trazendo ao presente o futuro que é desenhável. E como quadros iguais resultam em respostas iguais, ninguém espere amanhã outros resultados que não os de hoje.
Preocupam-se, apenas, e este é um mero exemplo local, que este ano o sistema terá menos 800 alunos (como se martelam as estatísticas!), que os professores estão colocados (!), as salas preparadas, os diversos serviços em funcionamento, os apoios garantidos e pronto, tal qual na fábrica, as portas abrirão às 08:00 e encerrarão ao anoitecer. Pobre escola esta! Os de plantão, no topo da hierarquia política, vão-se entretendo na propaganda e nas palavras rotineiras para enganar tolos. Sem qualquer vergonha, dirão, dentro de dias, que as "aulas" recomeçaram dentro "da normalidade". Pois... o que interessa é a eleição seguinte e não a geração seguinte.
Ilustração: Google Imagens
terça-feira, 23 de agosto de 2022
segunda-feira, 22 de agosto de 2022
quinta-feira, 18 de agosto de 2022
José Pacheco: merecemos uma escola muito melhor do que imaginamos
A educação do presente está prestes a virar passado. Ao AbrilAbril, José Pacheco, co-fundador de um novo projecto educativo em Portugal, expressou a sua intenção de transformar, de vez, este ensino de «infelicidade dos professores e desinteresse dos alunos».

«É essa nova construção social que vai substituir a que está aí há 200 anos e que só cria desigualdade: infelicidade nos professores e desinteresse nos alunos.»
Tudo parte de um axioma: escolas são pessoas. Não são prédios... NÃO são prédios! São pessoas... As pessoas são os seus valores. Esses valores determinam princípios da acção que, eticamente, a pessoa desenvolve. Chegados aqui, temos a necessidade de rever o que é um professor. Professor não é aquele que prepara projectos para os outros; é aquele que constrói projetos com os outros. Porque a minha liberdade não termina onde começa a liberdade do outro: a minha liberdade começa onde começa a liberdade do outro.
Nós aprendemos em qualquer lugar, não precisamos de uma sala de aula... Nós aprendemos na observação de uma floresta, na conversa com uma pessoa, numa biblioteca, no centro cultural, numa igreja, numa praça, desde que tenhamos acesso à informação.
A (des)igualdade dos exames nacionais
Um teste, um exame, pouco (ou mesmo nada) avalia. Avalia, sim, a capacidade de memória a curto prazo, a capacidade de reter informação para colocar num teste e... esquecer. Se tu fizeres o mesmo teste passado um mês, a nota desce... O que está na lei é que a avaliação deve ser formativa, contínua e sistemática. Ora, um teste não é formativo, um teste não é contínuo (é periódico) e não é sistemático (porque incide numa parte de uma matéria de uma disciplina)... Ou seja, está fora-da-lei.
Os rankings das escolas só «confundem e distorcem a realidade»
quarta-feira, 17 de agosto de 2022
Quem quer ser professor?
A pergunta foi feita pelo Professor José Gabriel num artigo publicado na sua página de facebook, o qual tive o prazer de transcrever neste blogue. Concordo com a generalidade do texto, porque muito incisivo, claro e oportuno. No quadro do actual sistema educativo ali ficou o retrato fiel das consequências de muitos anos de ausência de visão sobre o futuro.
Este sistema está em "morte cerebral", mas os políticos continuam a acreditar que sobreviverá através dos "cuidados intensivos". Não sobreviverá, digo eu.
O sistema está morto.
Faltam professores, pois faltam, mas atenção, faltam em função de uma escola que continua a basear a aprendizagem no conhecimento fragmentado, na falsa convicção que separando as disciplinas obterá êxito. No livro "A Escola é uma seca" transcrevi o que sublinhou o Professor David Rodrigues: "afirma-se que os jovens devem ser empreendedores, dinâmicos, criativos, autónomos, capazes de resolver problemas (...) mas defende-se a escola transmissiva, directiva e uniformizadora". Compaginando esta posição com o que disse a escritora Clarice Lispector (1920/1957), "o óbvio é a verdade mais difícil de enxergar". Ora bem, mudem a estrutura do sistema e, certamente, o país terá os professores suficientes para as necessidades. O problema é ter coragem política para mudar.
Aliás, tudo isto não é novo. Há mais de 20 anos o jornal Público (28.01.2002) titulou:
O SISTEMA EDUCATIVO PORTUGUÊS TEM DE MUDAR DE ALTO A BAIXO
Texto do Jornal: "Tudo tem de mudar no sistema educativo português e os próximos 20 anos são a grande oportunidade de recuperar 20 décadas de atraso educativo, conclui um estudo exaustivo sobre a educação em Portugal, intitulado "O Futuro da Educação em Portugal, Tendências e Oportunidades - Um Estudo de Reflexão Prospectiva".
terça-feira, 16 de agosto de 2022
Quem quer ser professor?
Por
José Gabriel,
Foram anos – sobretudo a partir do final dos anos 90 - a agredir e diminuir a profissão, anos em que, para lamber o traseiro aos eleitores tudo foi permitido aos politiqueiros, toda a arrogância analfabeta foi atirada contra quem trabalhou na sua formação científica e pedagógica - a ordem dos termos corresponde mesmo a uma hierarquia.
Tiveram ministros que não teriam habilitações para dar uma aula no Ensino Público, tiveram outros que nunca foram mais que ratos de gabinete ou políticos de aviário, outros ainda que ganharam a sua legitimidade em comentários televisivos de programas de treta. Tiveram alguns, poucos, que realmente cuidaram.
quinta-feira, 11 de agosto de 2022
A escola é uma seca
domingo, 31 de julho de 2022
Oiçam e leiam os factos
Ontem segui uma entrevista à actriz Lídia Franco, no decorrer do programa "Depois, vai-se a ver e nada". Teve momentos muito interessantes, um deles quando a actriz falou do filho, um dos melhores cientistas na luta contra a malária. Assumiu que, relativamente aos filhos, temos de "deixá-los voar" (...) "deixei-o ir para Bruxelas porque cá não tinha média para entrar na Universidade que desejava", apesar de ter tido vinte em Biologia. Ora, disse, entendam que "não é a média que interessa (...) é a paixão pelo que se faz, a vocação (...)" que conta.
Continuamos a não querer aprender, ao imporem um sistema desmotivador, desadequado e, manifestamente, limitador dos talentos e vocações. Que insana teimosia!
Ilustração: Google Imagens.
quinta-feira, 28 de julho de 2022
O que a escola precisa para se tornar inovadora?
ESCOLA INOVADORA
POLÍTICOS, ESQUEÇAM A CENTRALIZAÇÃO,
A PROPAGANDA E OS CAMINHOS FÁCEIS
quarta-feira, 27 de julho de 2022
quarta-feira, 20 de julho de 2022
OA e AO, Angola, Brasil e a “querela” interminável
Além dos erros técnicos que traz e propagou, o Acordo Ortográfico é de muitíssimo duvidosa legalidade. A OA resiste ao AO? Tem razões para isso.
Já lá vão bem mais de trinta anos desde que o saudoso filólogo José Pedro Machado (1914-2005) escreveu, no Jornal do Fundão, esta frase: “[A ortografia] deixou de ser problema científico para se tornar político e bem sabemos o que acontece quando em questões científicas os cientistas dão (ou têm de dar) lugar aos políticos…” O que era verdade, à data, tornou-se profético com o tempo. O artigo citado e outros cinco que se lhe seguiram foram publicados ainda em 1986, em Setembro, num opúsculo intitulado A Propósito da Ortografia Portuguesa. Pelo que sabemos hoje, nenhum dos políticos que quiseram à força ser “cientistas” o leu.
Por fim, de visita ao Brasil, foi a vez do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa (que em tempos idos, como cidadão, foi um dos mil subscritores do Manifesto “Nós não concordamos”, anti-AO9O, que em 1991 foi publicado em dupla página no jornal O Independente) dar um ar da sua graça nesta matéria, dizendo publicamente isto (vale a pena citá-lo na íntegra): “A solução a que eu cheguei foi essa: o acordo é o que é, é adoptado por quem é adoptado. Se há pequenos retoques a fazer porque a prática mostrou que eram lógicos, mesmo nos países que adoptaram, que se faça cientificamente. Mas o todo foi tão complexo de atingir e já está a ser tão grande a edição, que não vale a pena manter uma querela quando a edição já é tão difícil nestes dias”.
terça-feira, 5 de julho de 2022
A ESCOLA E A DISCIPLINA DE CIDADANIA - A POLÉMICA QUE CHEGOU À JUSTIÇA
Em Setembro de 2020 posicionei-me sobre a questão da disciplina designada por "Cidadania e Desenvolvimento Social". Isto a propósito de um encarregado de Educação de dois alunos (Famalicão) ter entendido que os filhos não deviam frequentar essa disciplina, sujeita a avaliação, não apenas por alguns conteúdos, mas também por assumir que é às famílias que compete a formação para a cidadania. Obviamente que se trata de uma posição passível de debate, porque são muitas as variáveis em causa. E o assunto, lamentavelmente, arrastou-se. Ao ponto do Senhor Ministro ter respondido que não existem "currículos 'à la carte'" e o Ministério Público, numa incompreensível porque exagerada posição, ter considerado que os pais "põem em perigo" a formação, educação e desenvolvimento dos filhos. Presumo que não sabem do que estão a falar!
Ora, o debate é absolutamente necessário. Debate que não pode nem deve ficar por esta "disciplina". O problema é mais global e estrutural. É a política educativa que está em causa. E o Senhor Ministro, antes Secretário de Estado, teve tempo mais do que suficiente para o desencadear. Não o fez e, agora, o assunto arrastar-se-á pela Justiça, com evidentes prejuízos para os alunos. Ficará em causa a passagem de ano escolar por uma decisão assumida apenas à luz da Lei? Não sei. Para já, o Tribunal de Família e Menores de Famalicão adiou a audição de testemunhas. Talvez lá para Setembro, Outubro...










