SOB A MAIS LIVRE DAS CONSTITUIÇÕES UM POVO IGNORANTE É SEMPRE ESCRAVO Condorcet (1743/1794)
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segunda-feira, 24 de outubro de 2022
Tecnologia não é "meter" os manuais em papel no tablet!
sábado, 22 de outubro de 2022
O sistema está amarrado, estrangulado e centralizado numa pessoa!
Desde há muitos anos que nos conhecemos. Tenho pelo Engenheiro Arlindo Oliveira uma enorme consideração e estima. É um Homem esclarecido, de pensamento aberto ao Mundo, perspicaz e sensível face aos dramas sociais. Num tempo que não era fácil ter opinião, não se escondeu. Infelizmente, não foi aproveitado no plano do exercício da política. Ainda assim, em vários mandatos, servimos o Funchal enquanto Vereadores. Aquilo que escrevo relativamente ao sector da Educação, dos poucos que vêm a terreiro debatê-la, ele é um dos que se interessa apesar deste não ser o seu sector de actividade profissional.
Há dias, publicou um texto sobre a Teoria da Relatividade de Albert Eintein - De Newton (1643-1727) a Einstein, (1879-1955) uma nova visão do mundo e do Universo. Republiquei-o no meu blogue pela importância que tal texto reflecte. É fruto do seu continuo interesse pelo estudo de temas apaixonantes e que a maioria de nós não domina. Já antes tinha acompanhado uma interessante e contagiante entrevista, melhor dizendo, diálogo com o Padre José Luís Rodrigues. Uma conversa que me encheu. E se o trago aqui é pelo facto de naquele trabalho sobre Einstein, o meu Amigo Arlindo, independentemente de todo o conteúdo, ter destacado o facto de Einstein ter sido um aluno mediano nas disciplinas de Física e de Matemática. Estava sempre distraído e teve que sair da escola. O seu texto começa assim:
"Albert Einstein, nascido nos fins do século XIX, (1879) veio a revelar-se um génio, apesar de, na escola, alguns dos seus professores, não lhe alvitrarem grande futuro na vida, já que, não se revelou, tradicionalmente, um aluno normal, aliás, como a muitos de nós, muitas vezes incompreendidos, ouvimos, em versão semelhante, maus augúrios, da parte de alguns dos nossos professores (...)".
Pois é, Amigo Arlindo, em todos os sectores "a mudança está em nós". Infelizmente, a maioria não a quer ver. Ainda neste fim-de-semana esteve na Madeira o Professor Doutor Santana Castilho que teceu algumas considerações que deveriam merecer atenção e debate (RTP-M/TJ de Sexta-feira). Caríssimo Arlindo, creia que dei uma gargalhada quando escutei o Professor dizer que, nos Estados Unidos, a implementação dos manuais digitais, iniciada há oito anos, foi abandonada, porque os cientistas concluíram que o desenvolvimento cognitivo das gerações mergulhadas no digital é equivalente ao das crianças de 8/9 anos de há 30 anos; por outro lado, são cinco vezes mais caros para além de ter crescido em 30% as doenças oftalmológicas. Por aqui, andam com a peregrina ideia da "sala de aula do futuro" (a Educação é hoje, não é amanhã) e com os manuais digitais que não são mais do que os de papel "metidos" no digital. E o que quero dizer com isto? Que a putativa novidade pegou, porque não se debate, porque não sabem para onde caminham, porque poucos são capazes de dizer que este rei vai nu, porque o sistema está amarrado, estrangulado, centralizado numa pessoa assessorada por uma meia-dúzia incapaz de dizer que esse não é o caminho. Tecnologia na escola não é aquilo que andam a fazer! Há um défice de estudo quanto à necessidade de reinventar o sistema, que passa por assumir a autonomia plena dos estabelecimentos de aprendizagem, por desenhar novos currículos, por ter uma nova visão programática, por alterar profundamente o paradigma da aprendizagem, por entender a escola como cultura, por trazer a vida para dentro da escola respeitando o sonho individual e por colocar em cima da mesa essa doentia obsessão pela avaliação, tudo isto, entre outros, são assuntos que os políticos de turno não querem e não desejam.
sexta-feira, 14 de outubro de 2022
A "questão aula" e a obsessão pela avaliação
Nos finais dos anos 60 fui aluno de um professor que dedicava os primeiros minutos de um novo encontro connosco, à resolução do essencial do que tínhamos escutado e debatido na sessão anterior. Essas respostas eram individuais, não eram recolhidas pelo Professor e apenas serviam para nós (colectivamente) nos situarmos na compreensão da matéria (conhecimento), repito, escutada e debatida. Só passávamos adiante quando 80% estava percebido e consolidado. Não havia qualquer preocupação avaliadora e registada no sentido professor-aluno, mas apenas o aluno como centro da aprendizagem. Isto, há 50 anos!
Aliás, nos estabelecimentos que deviam ser de aprendizagem (ainda os designam por estabelecimentos de ensino) é cada vez maior a obsessão pela avaliação, não pela aprendizagem. São muitas as paranóias que os invadiram: a centralização dos processos, hierarquicamente definidos, que impedem a autonomia e a liberdade de cada estabelecimento criar as suas próprias dinâmicas de escola e de aprendizagem.
Vivem num espartilho onde tudo se acomoda dando a entender formas naturais, quando, se retirarmos as amarrações, o corpo desintegra-se em bocados mil;
é o excessivo número de alunos por estabelecimento; é o processo burocrático, onde muito para nada serve, que enche o arquivo-morto e continua a retirar tempo e disponibilidade para pensar a aprendizagem centrada no aluno; é a irresistível motivação para a realização de actos irracionais, como a da obsessão pela avaliação de natureza classificativa; é a manutenção de um arcaico conceito de aula e de turma; é essa praga da uniformidade que padroniza currículos, programas e conceitos organizacionais de aprendizagem, como se todas as populações fossem iguais, os professores não tivessem capacidade para entender a aprendizagem de forma diversificada e a forma como se aprende fosse de sentido único. É a louca correria por uma enganadora meritocracia que traz para dentro da escola muitas taras e desigualdades sociais. Tanto que sobre isto há a dizer e a debater!
segunda-feira, 10 de outubro de 2022
Perguntas simples de resposta complexa
1ª Sabendo-se que a capacidade de atenção dos alunos oscila entre 10 e 18 minutos, que razões científicas sustentam a manutenção de "aulas" entre 45 e 90 minutos?
2ª Sabendo-se que, aproximadamente, em 30 dias, 90% do que, pressupostamente, se aprende numa "aula" apaga-se, que razões científicas sustentam a manutenção do actual "modelo de aprendizagem"?
Ilustração: Google Imagens.
quarta-feira, 5 de outubro de 2022
"Sala do Futuro"? Não seria melhor designarem por "laboratório tecnológico"?
Na política, deixa-me um rasto de pena aqueles que, discursivamente, conduzem ao engano através da artimanha das palavras, dos sentidos e dos ares convencidos que uma determinada orientação é a melhor para o povo. Sinto comiseração quando cruzo, o pouco que sei com aquilo que dizem, em função do conhecimento que existe. Vem isto a propósito das anunciadas "salas de aula do futuro". Sobre este assunto já diversas vezes escrevi (ver links no final do texto), mas entendo que vale a pena voltar ao assunto.
sexta-feira, 23 de setembro de 2022
Faltam professores?
Segundo li no jornal Público faltam 871 professores, o que significa 12 967 horas por preencher (60% nos distritos de Lisboa e Setúbal). A pergunta que coloco é esta: temos professores a menos ou sistema educativo a mais?
Esta sumária caracterização leva-me a questionar se faltariam professores se outro fosse o pensamento organizacional (a todos os níveis), curricular, programático e pedagógico? Estou em crer que não faltariam. Neste pressuposto, considero que o problema reside, não no número de professores, mas no pensamento sistémico do que se deve entender por verdadeira e consistente aprendizagem, no quadro de uma escola onde o professor assuma o papel de mediador e não de "debitador" de matéria.
Por isto mesmo, a preocupante fragilidade relativamente ao cada vez menor número de alunos, deveria transformar-se numa oportunidade para gerar uma escola para o tempo que estamos a viver e para o futuro que fervilha à nossa frente. Há, portanto, uma nova mentalidade a implementar, que implica um novo caminho a percorrer. Ainda hoje, para salvaguardar o número de alunos sem as ditas "aulas" (conceito ultrapassadíssimo), o Ministro veio assumir a necessidade de um terço do recrutamento ser da iniciativa do próprio estabelecimento de aprendizagem. Porquê um terço? Isto é, descentralizam um pouco o recrutamento ("enquanto o pau vai e volta folgam as costas"), mas o funcionamento da Escola permanece rotineiramente igual.
Paralelamente, não se pode ter professores com uma tabela salarial miserável face à responsabilidade que lhes é atribuída. O Público, este é um mero exemplo, destaca uma Professora de Alemão, Manuela Laginha, que preferiu emigrar para a Suíça (recrutamento aberto pelas escolas e municípios) a penar pelas estradas portuguesas com a "casa às costas". Lá, está a 12 minutos de casa e recebe € 9 223,00, o equivalente a Francos suíços que é de 8 900,00. Espantoso!
Ilustração: Google Imagens.
quarta-feira, 21 de setembro de 2022
E por aí, alguém disse que a taxa de participação era de 50%!
No relatório do Eurobarometer relativo a 2022, a proporção de pessoas que se exercitam ou praticam desporto regularmente ou com alguma regularidade é maior na Finlândia (71%), Luxemburgo (63%), Holanda (60%) e Dinamarca e Suécia (59% em ambos os países). Os países cujos entrevistados afirmam nunca praticar qualquer atividade física ou desportiva são Portugal (72%), Grécia (68%) e Polónia (65%).
sexta-feira, 16 de setembro de 2022
quinta-feira, 15 de setembro de 2022
Entre rotos e esfarrapados...
A propósito da contagem do tempo de serviço congelado aos professores, o Ministro fez umas declarações quanto a mim inócuas e, portanto, sem qualquer relevância política. Considero que não merecia contraponto. É daquelas situações que o Ministro deveria estar calado e o governante regional mudo. Mas não, o secretário resolveu ripostar: "(...) Nós entendemos que estas declarações, sendo completamente despropositadas, não deixam de ter também uma outra intenção que é a de encobrir aquilo que são as incompetências do Partido Socialista para governar a educação em Portugal", disse Jorge Carvalho, secretário da Educação, Ciência e Tecnologia da Madeira - Dnotícias, 14.09.2022.
A parte interessante, aqui sim, de natureza política está na passagem "(...) encobrir aquilo que são as incompetências do Partido Socialista para governar a educação em Portugal". Admitamos que sim. A questão é perceber as incompetências do Partido Social Democrata para governar a educação na Madeira. A questão reside aqui. No quadro da Autonomia Político-Administrativa, pergunta-se, então, que avanços foram proporcionados?
O debate deveria centrar-se em matérias muito mais profundas. As de natureza estrutural, de pensamento, de aferição do que dizem e escrevem os grandes pedagogos e cientistas da actualidade (e não só) face ao mundo que está na frente dos nossos olhos. Constata-se a existência de um claro desfasamento, quase total e muito perigoso, entre a rotina do sistema que é proporcionada e a estabilidade e êxito da população em todos os sectores e áreas do desenvolvimento. Enquanto uns buscam a antecipação do futuro, outros amam o passado, idolatrando figuras e conceitos absolutamente desadequados. A universidade nada lhes deu. É caso para perguntar a quem interessa uma população distante, alienada, ignorante, pobre e dependente?
quinta-feira, 8 de setembro de 2022
O folclore - "Repisa rapaz, repisa e torna a repisar..."
"Folclore" foi como o secretário da Educação do governo da Madeira caracterizou uma manifestação, no essencial, de chamada de atenção para os problemas, alguns muito graves, apontados pelo Sindicato de Professores da Madeira. Eu que liderei, durante dois mandatos, a mesa da assembleia geral de professores do SPM, fiquei estupefacto com aquela forma de caracterizar o importante trabalho de alerta e tentativa de correcção dos processos que aos professores dizem respeito. Participei em inúmeras reuniões de professores e nunca me apercebi de qualquer ausência de bom senso na análise dos temas em debate. Os professores sempre partiram do pressuposto que numa negociação todos perdem. Perde-se para que todos possam ganhar alguma coisa.
terça-feira, 6 de setembro de 2022
Regresso às aulas ou o regresso à rotina?
A pergunta tem a sua razão de ser. Não tolero a expressão "regresso às aulas", porque a aprendizagem é permanente, mesmo em tempo de pausa, mas sobretudo pela carga que ela transporta no quadro do sistema educativo; muito menos me conformo com a "rotina". Ambas, por múltiplas razões tantas vezes aqui equacionadas, constituem a antítese da escola que aos jovens deveria ser proporcionada, enquanto espaço de conhecimento significativo, como, por outro lado, traduz o oposto relativamente a um mundo que não se compraz com repetitivas atitudes tradicionais. De forma absurda e ininteligível, os políticos são capazes de olhar e até compreender a velocidade com que a ciência acontece, mas continuam a preferir encostar os olhos e o nariz numa parede. Ainda ontem, em contraponto, o Papa Francisco, numa entrevista na TVI, embora num outro contexto, alertava para a necessidade de "abrir a janela" para ver o mundo, digo eu, de oportunidades que os novos caminhos sugerem. Abram a janela, disse! Escancarem a janela.
Aos que seguem a leitura deste texto, obviamente que é legítima uma pergunta: então, existirá outro formato de escola? Respondo: existem muitos, mesmo em Portugal, basta que os estudemos. O que tenho por adquirido é que o "modelo português" (trata-se, de facto, de um modelo (estático) e não de um paradigma), ano após ano, afugenta da escola os alunos e os professores. Os primeiros assumem que é "uma seca", vendo nela mais obrigação do que utilidade, e os segundos, na generalidade, não encontram o momento de fazer um corte com a profissão que abraçaram e muitos amaram. Mais grave é que são poucos os jovens candidatos ao exercício da docência. Mesmo no actual sistema, a renovação dos quadros já é deficitária. O retrato da situação é público e notório.
E não é preciso ir lá fora copiar um qualquer paradigma de escola, porque a solução está cá dentro. Há que olhar, obviamente que sim, para aquilo que outros fazem e de forma consequente, há que reflectir e produzir pensamento a partir de experiências vividas, mas sempre com a preocupação de fugir à tentação de criar um "modelo nacional" desadequado das inúmeras circunstâncias caracterizadoras do povo português.
Ademais, os estabelecimentos de aprendizagem precisam de uma completa autonomia, de gerar a diferenciação entre eles e de deixarem de vez a trela política centralizadora.
Hoje, estamos perante um "cocktail" explosivo de graves consequências para o futuro colectivo. Os penosos resultados desta cega política estão a caminho. Aliás, já são sensíveis e devastadores os sinais em todos os sectores e áreas da sociedade. Cinquenta anos depois de Abril tudo continua estruturalmente igual, apenas com alguns enfeites e muita propaganda balofa. Para quem decide, face às configurações da IV Revolução Industrial, basta responder com os enquadramentos que provêm da I Revolução Industrial. Pergunto, será que ninguém dá conta que estamos a preparar para empregos que não vão existir e, pior ainda, estamos a gerar uma grave carência de especialistas em variadíssimos espaços profissionais? Ainda ontem, cruzei-me com um empresário que foi claro: "preciso de colaboradores que saibam do ramo a que me dedico. Não encontro". Ele não me falou de habilitações académicas, falou-me de pessoas com talento e capacidade profissional. Ora, concluo, há um evidente divórcio entre as duas faces do problema.
Depois, com uma gritante facilidade, oiço por aí frases do tipo: geração de malandros, não querem trabalhar, vivem dos subsídios, eu sei lá o que tenho escutado. Desabafos que caracterizam a situação actual, mas que ficam pela superficialidade, distante da causa dos problemas. E na causa está a estrutura da sociedade em todos os aspectos, a mentalidade enraizada por anos a fio de encolher de ombros, a ausência de rigor e de uma escola desadequada da realidade. Ninguém se questiona para onde vai, ninguém apresenta uma preocupação de sentido prospectivo, trazendo ao presente o futuro que é desenhável. E como quadros iguais resultam em respostas iguais, ninguém espere amanhã outros resultados que não os de hoje.
Preocupam-se, apenas, e este é um mero exemplo local, que este ano o sistema terá menos 800 alunos (como se martelam as estatísticas!), que os professores estão colocados (!), as salas preparadas, os diversos serviços em funcionamento, os apoios garantidos e pronto, tal qual na fábrica, as portas abrirão às 08:00 e encerrarão ao anoitecer. Pobre escola esta! Os de plantão, no topo da hierarquia política, vão-se entretendo na propaganda e nas palavras rotineiras para enganar tolos. Sem qualquer vergonha, dirão, dentro de dias, que as "aulas" recomeçaram dentro "da normalidade". Pois... o que interessa é a eleição seguinte e não a geração seguinte.
Ilustração: Google Imagens
terça-feira, 23 de agosto de 2022
segunda-feira, 22 de agosto de 2022
quinta-feira, 18 de agosto de 2022
José Pacheco: merecemos uma escola muito melhor do que imaginamos
A educação do presente está prestes a virar passado. Ao AbrilAbril, José Pacheco, co-fundador de um novo projecto educativo em Portugal, expressou a sua intenção de transformar, de vez, este ensino de «infelicidade dos professores e desinteresse dos alunos».














