terça-feira, 22 de outubro de 2019

"O elogio da ignorância"


FACTO

"Nós somos mais felizes quando tomamos as opções de vida mais acertadas e para as tomarmos devemos estar bem informados e o melhor capacitados possível (...)" - Secretário Regional da Educação. Fonte: Dnotícias.

COMENTÁRIO

Esta declaração, em abstracto, assino-a por baixo sem pestanejar! Sem pestanejar não é bem assim, porque tantos, em um determinado contexto, fizeram opções de vida tidas por mais acertadas e acabaram infelizes. 
Embora tenha qualquer coisa de lapalissiano, aquela declaração pode aplicar-se a toda a nossa vida, vivência e convivência. Circunscrevo-me à frase no seu sentido literal, e aí, o problema está, de facto, na tomada de decisão relativamente às opções, se partirem da conjugação de bons estudos com o cruzamento de toda a informação disponível. Ora, quem assume aquela posição pública, parece-me óbvio, tem de ser consequente, inclusive, nas funções que desempenha. E é aqui que, infelizmente, existe um insanável desconcerto.
Ora bem, aquilo que, neste caso, caracteriza o sistema educativo, denuncia, à luz dos dados estatísticos e de outras naturezas, que o autor da declaração, politicamente, sublinho, não só não anda bem informado como capacitado para desempenhar, com efeitos multiplicadores, as funções que assumiu. Logo, não é feliz.
Isto de juntar palavras que soam bem, tem muito que se lhe diga. Mor das vezes torna-se necessário que nos revejamos nelas, no que apregoamos e no que fazemos, para que o retorno do espelho não nos desfigure. 
Isto para dizer o quê? Que o sistema educativo é muito complexo, a montante e a jusante, e não se compagina com presenças fúteis para propagandear o corriqueiro. Ainda hoje estive a ler um magnífico texto do Senhor Cardeal Tolentino Mendonça, onde, a páginas tantas, sugere que cada um de nós faça o "elogio da ignorância", como ponte para a "sabedoria". 
Ilustração: Google Imagens.

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