SOB A MAIS LIVRE DAS CONSTITUIÇÕES UM POVO IGNORANTE É SEMPRE ESCRAVO Condorcet (1743/1794)
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quarta-feira, 23 de março de 2022
segunda-feira, 21 de março de 2022
Há (ainda) felicidade na escola?
Miguel Palma Costa
Professor de Filosofia
E nas escolas, o modelo educativo que temos (e que se quer inclusivo, inovador e agora capacitado para a transformação digital) inquieta-se com o bem-estar pessoal e profissional de todos aqueles que nela trabalham? A felicidade organizacional é realmente uma das preocupações (e deveres) do sistema educativo nacional e regional? Na Madeira, por exemplo, que entidade pública recolhe evidências e se ocupa da investigação sobre o impacto da felicidade na prática dos docentes e no sucesso escolar dos alunos?
Creio que a felicidade é para todos nós o (grande) objetivo – um desejo, a finalidade, projeto, a motivação, orientação… – das nossas vidas, apesar de vivermos, mais uma vez, numa época de horrores, alguns deles antigos (como os desastres ou catástrofes naturais), outros cíclicos, como a instabilidade política, as crises financeiras, económicas e sociais, os conflitos familiares e a Guerra, lamentavelmente esta última sempre prestes a eclodir em qualquer parte do mundo e a desencadear destruição, sofrimento inimaginável e morte em poucos minutos. O desespero de milhões de cidadãos, o terror que a tragédia da Guerra nos permite observar através da lente de uma câmara de filmar (e a televisão leva rápido as calamidades e as atrocidades aos nossos lares), torna quase impraticável pensar sobre a felicidade na atual conjuntura e é por um triz que não petrifica os nossos corações.
Em 2021, o Ranking Mundial de Felicidade (ONU) menciona que os 8 países mais felizes do mundo estão todos localizados “dentro” da União Europeia (UE), e a Finlândia ocupa o primeiro lugar há quatro anos consecutivos, bem distante de Portugal que se situa em quinquagésimo oitavo lugar (dos membros da UE abaixo de Portugal, só mesmo a Grécia e a Bulgária). Ora, esta é uma situação que não nos pode confortar e deve fazer-nos interpelar e investigar as causas/motivos de tal posição. De acordo com o Índice Mundial da Felicidade, em Portugal, 56% das pessoas dizem que “são felizes muitas vezes”, mas este índice apenas usa alguns indicadores como o PIB, a esperança média de vida, o nível de solidariedade, a liberdade individual, a corrupção, mas não mede, por exemplo, o riso. (Parece-me que mesmo sabendo dos benefícios do riso – não só emocionais, mentais, mas também físicos –, depois da grande crise financeira de 2008-2009, agregada, nesta nova década, a uma pandemia sanitária e agora à Guerra na Europa, os portugueses riem cada vez menos.)
domingo, 20 de março de 2022
"A ESCOLA É UMA SECA" NA FNAC DO MAR SHOPPING (PORTO)
No Fórum FNAC, do Mar Shopping, no Porto, foi apresentado o livro "A Escola é uma Seca". Teve essa responsabilidade a Drª Cristiana Almeida, professora da conhecidíssima Escola da Ponte que falou sobre a sua experiência na sua escola em compaginação com o texto do livro.
Hoje, se bem observarmos, continuamos a ter de um lado a Escola e do outro a Vida. Uma Escola acantonada dentro dos seus muros, incapaz de os trepar e olhar para o que se está a passar em todos os outros sistemas. Se a escola fizesse esse esforço de espreitar o mundo, mesmo por uma fresta, perceberia o crescente desencanto daqueles que diz querer formar. Perceberia as fragilidades e as causas do abandono e do insucesso. Perceberia, certamente, que pouco vale a imensa tralha de pseudo-conhecimento desarticulado que transmite. Aliás, o sistema continua a preparar para empregos que não vão existir. Porque estamos agarrados, de forma inflexível, aos currículos, aos extensos programas e aos formatos pedagógicos que matam a curiosidade e o sonho.
Como ensinar
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sexta-feira, 4 de março de 2022
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
O dramatismo dos números. Alguém deve explicá-los.
Acompanhei a síntese de duas intervenções directamente relacionadas com a política educativa na Madeira. Alguém tem o dever político de explicar os números que foram apresentados nos últimos dias que, aliás, já eram do conhecimento público através das estatísticas. Valores que, devidamente analisados, arrepiam depois de 48 anos de Abril de 1974 e 46 de governo autónomo, sempre com a mesma cor política, à excepção dos últimos três anos onde o PSD governa em coligação com o CDS. A Madeira vai pagar muito cara a situação que a seguir descrevo.
"10% de abandono escolar precoce", o que significa que em cada 100 alunos dez ficam para trás; "somos a região com maior índice de risco de pobreza e exclusão social" (32,9%), o que significa que um em cada três madeirenses é pobre ou vive em significativa dificuldade; "os últimos Censos demonstraram que 49,7% dos madeirenses têm o ensino básico e 15,3% não têm equivalência a qualquer grau de ensino", o que significa que o sistema educativo é ele próprio um travão à criatividade, inovação e competitividade - dados assumidos pela Doutora Luísa Paolinelli. Por outro lado, o Dr. Rui Caetano sublinhou que 53% da população activa tem apenas o ensino básico e 46% dos desempregados têm menos do que o 9º ano (...) 10.500 jovens entre os 16 e 34 anos não trabalham nem estudam".
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
"Se a escola é a tua casa, foge de casa"
Para alguns pode ser cansativa esta luta por um melhor sistema educativo, para mim não é. Jamais deixarei esmorecer a opinião. Porque é o nosso futuro colectivo que está em causa. Serenamente, sem grandes expectativas e até esperança de uma significativa alteração nos próximos tempos, vale sempre a pena continuar a meter um grãozinho na ferrugenta engrenagem. Há dias li um texto da Professora Carmo Machado (revista Visão) que, logo no primeiro parágrafo, salientava: "(...) Se os alunos teimam em escrever no final dos textos – para que não nos esqueçamos – "eu odeio a escola" ou "se a escola é a tua casa, foge de casa", obviamente que este tipo de declarações constrangem quem entende que ali deveria ser um espaço de desejo, felicidade e aprendizagem.
Preocupa-me a dor e o sofrimento de uma escola que soçobra, por melhor que seja o esforço dos professores. Entendo o que sentem os alunos e milhares de professores quando se confrontam com um espaço onde a rotina e o desinteresse predominam. E uns e outros, por obrigação têm de lá estar. Alunos à procura de um diploma, professores pela sobrevivência. E ambos aguentam e aguentam. Queixam-se, mas aguentam. Até um dia!
"(...) na utopia o que fazemos? Primeiro, definimos a visão: que sociedade quero ter? que escola quero ter? o que quero ser?... Depois de definirmos essa visão, então sim, escolhemos o caminho e tapamos os buracos. Não vale a pena tapar buracos de outros caminhos".
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022
Seria bom que se deixassem de tretas...
E volta e meia lá vem uma voz falar da "educação do futuro". Juntam a isto a "sala de aula do futuro"! Há cinquenta anos e outros há muitos mais, que ouço falar dessa tal educação do futuro, quando, por paradoxal que pareça, o futuro é hoje. Já começou ontem! Raramente falam do que está a acontecer, da clara falência do actual sistema, de um sistema que se encontra enfeitado mas podre por dentro. Tal como uma peça de fruta reluzente, apetecível, mas quando se abre, está em decomposição, com manchas por todo o lado!
Já li várias projecções para os próximos 30/40 anos. Entre outras, a RTP transmitiu uma fascinante série de quatro programas "10 segundos para o futuro - O mundo em 2077". Dali se conclui que as "próximas décadas vão sofrer a maior e mais veloz transformação de sempre" (...) "Em 2077 o conhecimento científico terá duplicado várias vezes". E perante isto, o que acontece na Escola? A rotina, como se nada estivesse a ocorrer. Dentro da escola, eis-nos face a uma montanha de projectos que a história nos diz serem infrutíferos porque de circunstância; fora dela os gritantes desequilíbrios sociais cujas causas não se resolvem apenas jogando dinheiro para cima do dramatismo. Resolve-se com uma política educativa séria, honesta, prospectiva, consistente e não com o habitual paleio de circunstância da "transição digital", com distribuição de "tablets" aos magotes, sem uma inteligência de suporte, enfim, sem um pensamento estruturante sobre o caminho a percorrer. É a festa dos impulsos que permanece! Continua a interessar-lhes a produção em série, tal como na fábrica do Século XIX/XX. Este é o modelo das múltiplas e persistentes ignorâncias, das iliteracias culturais e das incapacidades de transferência dos saberes para a vida real.
Estão mais preocupados com a avaliação do que com o conhecimento; mais preocupados com a resposta do que com a pergunta; mais preocupados com os edifícios do que com as pessoas que lá vivem uma significativa parte da vida; mais preocupados com os currículos e programas do que com os sonhos de cada um. Neste contexto, seria bom, ao contrário do espalhafato quase diário para mostrar serviço, que assistissem à série de que atrás enunciei.
Deixo aqui o primeiro episódio:
2077 - 10 Segundos Para o Futuro: Mutação - Inteligência Artificial. Nanotecnologia. Fusão Homem/Máquina. Genética Estamos no ponto de partida de uma mudança tecnológica exponencial. 2077 - 10 Segundos Para o Futuro Episódio 1 - RTP Play - RTP
Depois de assistirem só têm um de dois caminhos: ou entregam a "pasta" a quem saiba e esteja disponível para trazer o futuro ao presente ou, então, partam para outra, que como vulgarmente se diz: desamparem a loja!
terça-feira, 22 de fevereiro de 2022
A ESCOLA CANSA-ME
Foi com esta frase que uma aluna minha, não há muito tempo, intitulou uma crónica que escreveu, no âmbito da disciplina que leciono (Português, 3.º ciclo). Respeitando a natureza deste tipo de texto (o tema deveria ser de interesse geral), a jovem refletiu criticamente sobre a sua experiência quotidiana, no legítimo pressuposto de que será idêntica à de tantos outros jovens da sua idade, por este país abaixo. Não se equivocou. A sua reflexão é a fonte de inspiração deste artigo.
Na sua crónica, a Gabriela — nome fictício — recorda, com saudade, o tempo em que tinha tempo para tudo e podia ser boa aluna, sem stresse; o tempo em que entre a casa e a escola havia uma fronteira mais bem definida, mais duradoura. Agora, diz não ter tempo para nada, sempre desdobrada entre trabalhos de casa, apresentações orais, trabalhos de pesquisa, questões de aula, testes, etc. Agora — sublinha — a escola ocupa quase todo o seu tempo. Chega tarde a casa e tem sempre algo para preparar para o(s) dia(s) seguinte(s). Ainda assim, tem de conviver com a sensação permanente de estar em falta, com a consciência de que podia fazer melhor. E conclui, resignada, admitindo que não pode reclamar, pois tem de trabalhar para preparar o seu futuro, mas remata com uma pergunta inquietante: para que futuro estará a trabalhar?
sábado, 12 de fevereiro de 2022
Rob Riemen. “A classe dominante nunca será capaz de resolver a crise. Ela é a crise!”
Rob Riemen (1962) é um escritor e fundador do Instituto Nexus, um "Instituto que reúne os maiores intelectuais, artistas e políticos do mundo para pensar e falar sobre as questões que realmente importam". Estava eu a reler uma sua entrevista onde combina "conhecimento de história e filosofia com sensibilidade literária e explica o retorno global do fascismo, disfarçado nas falsas promessas de trazer liberdade e grandeza", eis que, quando vou por aí fora, dou com um outro texto arquivado que sublinha: "A classe dominante nunca será capaz de resolver a crise. Ela é a crise".
Claro que sim! (...) Todos temos um lado estúpido, frustrado, provinciano. Para alterar o rumo político, temos de encontrar a estupidez em nós. Mas se as pessoas fossem um bocadinho mais espertas, não iriam para universidades estúpidas, nem veriam programas estúpidos na TV. Existe uma elite comercial e política interessada em manter as pessoas estúpidas. E isso é vendido como democracia, porque as pessoas são livres de escolher e blá blá. (...) a essência da democracia é a liberdade, mas a essência da liberdade não é teres o que queres; é usares o cérebro para te tornares num ser humano bem pensante. Se não for assim, se não fores crítico perante a sociedade mas também perante ti próprio, nunca serás livre, serás sempre escravo. Daí que o que estamos a viver não tenha nada a ver com democracia. (...) Vivemos numa democracia de massa, uma mentira que abre os portões a mentirosos, demagogos, charlatães e pessoas más, como vimos no séc. XX e como vemos agora".
O livro A Escola é uma seca pode ser adquirido:
Livraria Esperança - Funchal
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022
A ESCOLA É UMA SECA
A Drª Júlia Caré apresentou, na sede do Sindicato de Professores da Madeira, o livro da minha autoria "A Escola é uma seca". Deixo aqui o seu texto, ao longo do qual deixou muitas interrogações aos presentes.
- Da primeira apresentação do livro do André Escórcio, em 21 de janeiro, retive duas expressões que me pareceram relevantes:
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022
terça-feira, 8 de fevereiro de 2022
"A Escola é uma seca" - Venda ao público
domingo, 6 de fevereiro de 2022
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
Aprender, não decorar
Há 20 anos, os miúdos da Escola da Ponte sentavam-se em mesas redondas e participavam na sua própria aprendizagem, contribuindo com ideias e, na prática, para os programas e o ritmo a que assimilavam informação capaz de os fazer gente. Não havia filas direitas de alunos silenciosos e aborrecidos em frente a um professor que despejava matéria – não havia nada disso. Mas havia ordem, disciplina, respeito e a aprendizagem era real. As turmas juntavam crianças de várias idades e em vários estádios de ensino e eram elas próprias, quando sentiam que o conhecimento tinha passado, que se propunham para as avaliações que as fariam progredir, não em anos letivos, mas em blocos de conhecimento.
Há 20 anos, quando visitei a Escola da Ponte, em Vila das Aves, a fórmula ali aplicada por José Pacheco não era nova – fora estreada ainda na década de 70, a mesma em que eu nasci -, mas continuava a ser extraordinariamente inovadora e a somar resultados incríveis, e por isso referências em todo o mundo.
Debate-se o estado de esgotamento dos professores, mas obriga-se todos eles a cumprir um programa maioritariamente desenhado há 50 anos. Fala-se em formação, transição digital e necessidade de novos formatos de passar conhecimento, mas as alterações que se cumprem são estéticas e estéreis – quando não produzem resultados piores ainda. Discute-se o abandono e o insucesso escolar, mas querem-se os miúdos a escutar e a papaguear o que ouvem, como se isso lhes fosse útil para a vida. Questiona-se o valor da avaliação quando se devia repensar a sua forma, longe dos obsoletos e tantas vezes injustos testes (que pouco mais atestam além da capacidade de decorar, em vez de se centrarem na evolução das capacidades individuais dos miúdos), reconhecendo-a como essencial em todos os níveis e agentes da educação.
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
"A Escola atual está fora da lei e à margem das ciências da educação"
Neste dia Internacional da Educação, o fundador da Escola da Ponte diz que é preciso rasgar um modelo de escola que vem do século XIX, que "condena à ignorância" e não cumpre o direito constitucional de "uma educação para todos".

José Pacheco fundou a Escola da Ponte há 46 anos. Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens
Esse círculo tem entre 7 a 15 pessoas. Pessoas. Porque escolas não são prédios, são pessoas. Pessoas que têm território físico, espiritual, psicológico e até virtual. Um território onde partilham valores, uma mesma visão do mundo, onde definem princípios de ação para que todos tenham oportunidades de aprender e ser felizes. É uma família. Depois tem outro círculo ao lado, são os círculos de vizinhança, que também são círculos de aprendizagem. Quando temos vários círculos de aprendizagem, criamos aquilo que chamamos protótipo de comunidade de aprendizagem. E nós já temos mais de 150, todos diferentes, porque cada um vive o seu projeto.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
domingo, 23 de janeiro de 2022
"A ESCOLA É UMA SECA"
AQUISIÇÃO DO LIVRO
Recebi muitas dezenas de contactos perguntando-me onde o livro poderá ser adquirido. Dentro de algum tempo estará à disposição nas principais livrarias. Por enquanto, está disponível através do seguinte site:
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
segunda-feira, 17 de janeiro de 2022
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
A Escola é uma seca
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
“A educação não pode ignorar a curiosidade das crianças” - Edgar Morin
Mudanças profundas ocorreram em escala mundial nas últimas décadas do século 20, entre elas o avanço da tecnologia de informação, a globalização econômica e o fim da polarização ideológica nas relações internacionais. Diante desse cenário, o sociólogo francês Edgar Morin, hoje com 98 anos, defende que a maior urgência no campo das ideias não é rever doutrinas e métodos, mas elaborar uma nova concepção do próprio conhecimento. No lugar da especialização, da simplificação e da fragmentação de saberes, Morin propõe um dos conceitos que o tornaram um dos maiores intelectuais do nosso tempo: o da complexidade.
Em entrevista, o pensador critica o modelo ocidental de ensino que, segundo ele, separa os conhecimentos artificialmente através das disciplinas. Para Morin, as disciplinas fechadas ensinam o aluno a ser um indivíduo adaptado à sociedade, mas impedem a compreensão dos problemas do mundo e de si mesmo.
O modelo de ensino que foi instituído nos países ocidentais é aquele que separa os conhecimentos artificialmente através das disciplinas. E não é o que vemos na natureza. No caso de animais e vegetais, vamos notar que todos os conhecimentos são interligados. E a escola não ensina o que é o conhecimento, ele é apenas transmitido pelos educadores, o que é um reducionismo. O conhecimento complexo evita o erro, que é cometido, por exemplo, quando um aluno escolhe mal a sua carreira. Por isso eu digo que a educação precisa fornecer subsídios ao ser humano, que precisa lutar contra o erro e a ilusão.
terça-feira, 30 de novembro de 2021
sábado, 27 de novembro de 2021
Tudo ao contrário





